Resenha #4 – A Guerrilheira (Sorok Pervyy / The Forty-First, 1956)

Belíssimo filme russo, o primeiro dirigido por Grigori Chukhrai (alguns anos antes do bem mais famoso “A Balada do Soldado”), que conta a história de um amor impossível entre uma revolucionária integrante do Exército Vermelho e um prisioneiro seu, oficial do Exército Branco.  É a refilmagem de uma história que havia sido levada às telas em outro filme russo de 1927.

 

Assim como vários outros filmes de guerra russos feitos daí em diante, temos aqui mais uma vez demonstrada à exaustão a estupidez da guerra.  Não temos mais a ênfase na propaganda revolucionária, como era a tônica em filmes russos de períodos anteriores. A fotografia é sublime, tanto nas cenas no deserto quanto nas do Mar de Aral.

 

{possíveis SPOILERS daqui por diante}

 

Um grupo de sobreviventes de um destacamento do Exército Vermelho, derrotado numa batalha da guerra civil, vaga pelo deserto do Cazaquistão, com comida e água insuficientes.  No grupo, destaca-se Maria Filatovna (ou apenas Mariuska / Izolda Izvitskaya), uma atiradora de elite, famosa por nunca ter errado um tiro e que contabiliza até aquele momento 38 inimigos mortos.  Ao abater mais dois oficiais do Exército Branco, ela chega a marca de 40.

Quando, já sem esperanças de sobrevivência, avistam um grupo de viajantes cazaques e seus camelos, sabem que aquela pode ser sua única chance e assaltam os nativos.  Para sua surpresa, entretanto, entre os nativos está um oficial do Exército Branco (Oleg Strizhenov). Maria atira nele à distância e chega a bradar que ele era o seu “quadragésimo-primeiro”.  Entretanto, o tenente Nikolayevich escapa ileso e “os vermelhos” logo descobrem que ele é o portador de um importantíssimo segredo de guerra, motivo pelo qual decidem poupá-lo até que consigam chegar ao QG revolucionário. Maria é designada para vigiar o tenente inimigo.

Aos poucos o grupo vai diminuindo, devido aos rigores do deserto. Quando chegam ao Mar de Aral, Maria e mais dois revolucionários seguem de barco juntamente com o prisioneiro. A essa altura, Maria já está encantada pela beleza e cultura de Nikolayevich, mas os seus deveres ainda não foram esquecidos, e ela procura tratá-lo de modo duro. Uma tempestade assola os viajantes e os dois companheiros de Maria morrem afogados. Somente ela e o inimigo sobrevivem e conseguem chegar a uma ilha deserta.  Ali, longe dos ideais revolucionários, Maria vai demonstrando seu afeto pelo homem, cuidando dele com total dedicação e fazendo parecer que já não existe mais qualquer barreira entre eles. Entretanto, os ideais de longa data arraigados não seriam tão facilmente apagados, o que leva a um desfecho marcante.

por Alexandre Cataldo

5 comentários sobre “Resenha #4 – A Guerrilheira (Sorok Pervyy / The Forty-First, 1956)

  1. Pesquisando para nosso próximo cast, descobri que este aqui também tem a fotografia do Serguey Urusevskiy, dir. de foto dos brilhantes filmes do Mikhail Kalatozov. Vou subir ele na lista, ainda não vi…

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