Resenha #5 – O Condenado (Odd Man Out, 1947)

 Após assistir a “O Condenado”, a pergunta que fica é “por que este filme não foi alçado à condição de clássico absoluto?”  Sim, porque temos aqui um verdadeiro filmaço, quase obrigatório. E por que digo isso?  Impressionante fotografia em P&B (de autoria de Robert Krasker, o mesmo dos clássicos “Desencanto” e “O Terceiro Homem”), a qual praticamente se transforma numa personagem do filme, que, por tratar de um homem fugitivo, se aproveita enormemente das sombras; personagens interessantíssimos (tanto o protagonista Johnny McQueen, quanto os demais); direção magistral, de um inspirado Sir Carol Reed, no primeiro filme em que ele foi também produtor. Foi o primeiro de seus grandes filmes, seguido por “O Ídolo Caído” e o respeitadíssimo “O Terceiro Homem”.

 

James Mason está excelente como Johnny McQueen, o líder rebelde irlandês que, após fugir da cadeia, comanda um assalto para levantar fundos para sua organização. Mas as coisas não correm tão bem, e Johnny, abandonado na fuga, é obrigado a se esgueirar pelos becos de uma enevoada Belfast, caçado pela polícia e alvo de aproveitadores atrás de recompensa.  O próprio Mason declarou, anos mais tarde, que esta havia sido a melhor atuação de sua carreira.

 

A atuação de Mason, entretanto, acaba não dominando o filme, já que a história acaba sendo centrada mais nos demais personagens, que têm contato com ele durante sua fuga.  E aí temos um verdadeiro show de atores ingleses meio desconhecidos (exceção a Robert Newton), todos competentíssimos, com destaque para um tal de F. J. McCormick, simplesmente sensacional.
A direção de Carol Reed chama atenção, especialmente pelos seus ângulos incomuns, marca registrada que se tornaria clássica em “O Terceiro Homem”.  Mas arrisco dizer que “O Condenado” chega a ser um filme melhor do que “O Terceiro Homem”, o qual talvez tenha ficado bem mais famoso pela marcante “presença ausente” de Orson Welles.

 

Incrível como este filme – ganhador do BAFTA como melhor filme inglês daquele ano – foi meio que desprezado pela Academia, recebendo apenas uma indicação ao Oscar (montagem). Certamente caberiam indicações de filme, diretor e ator.

 

Foi “cometida” uma refilmagem em 1969 (The Lost Man), mudando o cenário da Irlanda para o submundo negro americano e com Sidney Poitier no papel principal.

por Alexandre Cataldo

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7 comentários sobre “Resenha #5 – O Condenado (Odd Man Out, 1947)

  1. É um filme realmente muito bom, fiquei surpreendido principalmente por ser um filme do carol reed, que fez aquela porcaria chamada oliver, o tom de fatalismo do filme é incrível remetendo ao film noir, não sei se este aqui é considerado um film noir, acho que um filme esquecido , e deveria ser mais lembrado.

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  2. Que bom que gostou, Vinicius!
    Quanto a “Oliver!”, concordo que é um musical meio “mala”. Mas discordo quanto ao Carol Reed. Não que eu o ache um diretor de primeiro escalão… mas fez alguns filmes muito bons, como este aqui, “O Ídolo Caído” e, claro, “O Terceiro Homem”.

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    • Sim, O terceiro homem é um dos meus filmes favoritos, já o Ídolo caído eu não vi, talvez Carol Reed não seja assim um diretor tão conhecido pelo publico.

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  3. Um filme extremamente diferente do estilo que estamos habituados a ver, ainda mais notório visto estarmos a falar de um filme dos anos 40. Inicialmente o filme até parece que vai ter uma narrativa e um desenvolvimento convencionais, mas não é isso que acontece. À medida que o filme vai avançando, vamos conhecendo um conjunto de personagens singularmente interessantes, com as mais diferentes motivações. A trajetória do personagem de James Mason também surpreende, quando estamos à espera que aconteça algo de concreto ao personagem, a verdade é que ele passa todo o filme andando em fuga, em circunstâncias complicadas pois está gravemente ferido, indo parando em vários locais que também eles se nos apresentam e revelam como algo singulares. O filme acaba, pouco a pouco, por entrar numa espécie de “tom” quase existencialista, difícil de definir, algo que não é de esperar nos primeiros 20 minutos. Os atores tem excelentes performances, quer os principais, quer os secundários, sendo que estes últimos acabam por ser uma componente extremamente importante no filme e que enriquece o mesmo. Claro que há a destacar o protagonista James Mason e também a estreante Kathleen qq. Resumindo, tudo nos vai surpreendendo ao longo do avançar deste filme. Tudo, com uma exceção: praticamente desde o início o filme tem uma atmosfera trágica, ficando desde logo à partida o pressuposto de que o final do filme só poderá também ser trágico. Um filme pouco conhecido, realizado pelo consagrado e famoso Carol Reed, que é uma verdadeira pérola do cinema, um filme que constitui um verdadeiro caso de estudo. Muito bom.

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