Resenha #6 – A Porta de Ouro (Hold Back The Dawn, 1941)

Por incrível que pareça, o bom e hoje em dia esquecido A Porta de Ouro, dirigido por Mitchell Leisen, concorreu a seis Oscars no ano seguinte ao do seu lançamento, disputando categorias de peso como de melhor filme, atriz, fotografia, roteiro e direção de arte (Victor Young concorreu também a melhor trilha sonora). Se a película não chega a ser excelente como outros concorrentes a melhor filme daquele ano, entre eles Cidadão Kane, Relíquia Macabra, Pérfida e o vencedor Como Era Verde o Meu Vale, por outro lado deveria ser mais lembrada hoje em dia e podemos elencar alguns motivos para isso.

 

Pra começar, só o fato do roteiro ter sido assinado por Charles Brackett e Billy Wilder, já valeria uma conferida. A história se passa no México, onde um aproveitador romeno (Charles Boyer) tenta fazer de tudo para conseguir um visto de residência nos Estados Unidos, mesmo que para isso tenha que se casar com uma inocente professora americana (Olivia De Havilland) ao mesmo tempo em que mantém um caso antigo com uma ex-colega de profissão (Paulette Goddard). O fato da narrativa ter sido desenvolvida em flashback (logo no início o personagem de Boyer invade um estúdio de cinema para tentar vender a um diretor sua história), a presença de uma “candidata” a femme fatale (Goddard) e uma iluminação muitas vezes de mais baixa intensidade e altos contrastes  de Leo Tover, nos faz pensar logo que estamos diante de um film noir, pensamento este que no desfecho do filme será desfeito. Mas se observarmos que um dos marcos iniciais deste subgênero policial – Relíquia Macabra – foi produzido no mesmo ano, podemos dizer que Hold Back The Dawn era um filme bem atual para sua época.

 

O longa também nos brinda com duas pequenas participações de atores conhecidos que estão inseridos na produção de um filme no estúdio visitado por Charles Boyer logo na primeira sequência: Veronica Lake e Brian Donlevy – curiosamente dois atores que marcarão presença em famosos film noir.

 

A Porta de Ouro ainda foi importante para a tomada de uma decisão que ajudaria o cinema a se tornar melhor nos anos seguintes. O ator Charles Boyer se recusou a fazer uma cena onde contracenava com uma barata e convenceu o diretor Mitchell Leisen a deletá-la do roteiro, o que enfureceu a dupla de escritores Brackett/Wilder a ponto de após o incidente, os dois decidirem que daí em diante dirigiriam seus próprios filmes de forma a não mais ficarem a mercê das vontades de diretores e estrelas de cinema. Só por esta ocorrência, que deu o ponta pé na carreira de diretor de Billy Wilder, a produção deste filme já teria cumprido sua função na história da sétima arte, mas ele vai além e é um bom filme que poderia receber um pouco mais de atenção nos dias de hoje.

 

por Fred Almeida

6 comentários sobre “Resenha #6 – A Porta de Ouro (Hold Back The Dawn, 1941)

      • Conheci pela resenha do site, esses filmes roteirizados pelo Billy Wilder de começo de carreira são muito esquecidos, mesmo este filme não sendo dirigido por ele consegue através do roteiro se destacar de demais filmes da época. Inclusive fico na expectativa de um ou mais podcasts sobre o Billy Wilder.

        Curtido por 1 pessoa

  1. Galera está com poderes de videntes… rs rs rs Estamos discutindo a temporada 2016 e a minha proposta pro grupo foi fazer um sobre a carreira do Wilder. Então aguarde que deve pintar ano que vem!

    Legal que descobriu o filme pela resenha! Abraço!

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