Resenha #10 – O Nascimento de Uma Arte – Parte 2: Edison e Porter

Thomas Edison

O Edison Kinetograph Department foi a empresa que revelou ao mundo o talento e a genialidade de Edwin Stanton Porter.  Este americano viria a ser aclamado como o pai do cinema de enredo e pavimentaria a estrada por onde D. W. Griffith passaria anos mais tarde.  Em 1891, o Edison Kinetograph produziria seus primeiros filmes e em 1894 era inaugurada uma sala onde o público pagava para assistir filmes no kinetoscópio de Thomas Edison, inventor e pioneiro que ao lado dos Irmãos Lumière, tem seu nome na história da sétima arte como um dos criadores do cinema.

Edwin S. Porter

Em 1903, surgia a primeira grande contribuição de Porter para a firma, que seria “A vida de um bombeiro americano” (Life of an American Fireman).  Ao longo de seus seis minutos e nove tomadas, o filme revelava um esboço do que viria a ser o seu filme mais famoso: “O Grande Roubo do Trem” (The Great Train Robbery).  “A vida de um bombeiro americano” possuía em uma de suas tomadas uma panorâmica, quando Porter decide mover a câmera para acompanhar um caminhão que descia uma rua.  Neste ano, a Edison Kinetograph completava dez anos de vida e já não era a única a ter se desenvolvido durante este tempo.  Várias empresas de produção haviam sido criadas em quinze países diferentes e o grande erro de Edison foi manter a individualidade da sua “Sala de Cinetoscópio”, onde a experiência visual do cinema era solitária.  A Europa, ao contrário, primava pela projeção dos filmes na tela, sobretudo com o invento dos irmãos Lumière e sua câmera que avançava a película quadro a quadro, de maneira semelhante ao que faz uma máquina de costura avançando um pedaço de pano.

A Vida de um Bombeiro Americano

Por volta do final do século XIX, surgia nos EUA a Phantoscope, a Vitagraph e a Mutoscope, que depois seria conhecida como Biograph.  Em 1897, Espanha, Japão, Suécia e Bélgica produziam seus primeiros filmes. No ano seguinte, Áustria, Hungria e México entravam para o cinema. Em 1899, era a vez do Uruguai.  Eram produções cujo enfoque ainda era o registro de movimento e até 1903, era rara a real narrativa de uma história. Eram pedaços de peças, imagens documentais e peças truncadas para se ajustar à poucos minutos de filme.  O chamado “teatro filmado” predominava no estilo das filmagens e um passo a frente foi dado pelo britânico William Paul, quando produziu Bloodhounds tracking a Convict, filmando várias seqüências em externas e criando um gênero de perseguição que foi imitado por outros cineastas ingleses.

 

Foi sob inspiração da escola inglesa que Porter realizou seu Life of an American Fireman, partindo do princípio que conseguiria entreter a platéia mesmo que utilizando uma história mais conexa, engendrada por tomadas mais complexas.  O que viria logo a seguir seria um filme mais acabado e que se tornaria seu clássico e um dos marcos do cinema.

O Grande Roubo do Trem

O Grande Roubo do Trem mostrava um assalto realizado por bandidos numa linha férrea. A primeira tomada sugere o desencadeamento de duas linhas de ação, logo depois que os bandidos amarram o funcionário da estação. A primeira linha segue com o roubo acontecendo e a segunda consiste no funcionário sendo salvo e correndo para avisar a outros sobre o assalto.  As duas linhas se encontram quando chega o momento da perseguição.  Porter havia com isso, criado o que hoje se conhece por “ação paralela” e estabelecido um marco no desenvolvimento da continuidade no cinema.  O movimento contínuo é objeto de pesquisa desde 1826, quando Joseph Plateau descobriu que não valia a pena tentar obter uma continuidade por meio de imagens contínuas. Suas descobertas o levaram a concluir que se colocasse uma seqüência de quadros de imagens imóveis e as passasse numa velocidade de 16 quadros por segundo, o próprio cérebro absorveria aquilo criando a ilusão de um movimento contínuo perfeito.  Os filmes de Porter começaram a levantar questões acerca da continuidade, das dimensões de tempo e espaço no cinema.

Englishman Swallows Photographer

A edição das imagens também começou a tomar forma por volta da época em que Porter fez seus clássicos.  Um pouco antes, em 1899, os pioneiros da Escola de Brighton (que abordaremos em futura resenha) utilizavam-se da montagem para criar efeitos: Williamson faz um intercutting (“inserção”) e talvez o primeiro close, em seu Englishman Swallows Photographer: Eaten Alive, para mostrar um cinegrafista que é engolido pelo personagem principal. Em “Os óculos da vovó” (Grandma’s Reading Glass), Smith usa o efeito de máscara, o intercut e algumas técnicas de edição como o POV (Point of View) para nos mostrar o que um garoto consegue ver com a lupa da avó.  Foram os primeiros usos das tomadas de inserção e da montagem para dirigir o olhar dos espectadores.

 

 O cinema como um espetáculo de grandes atrações começava a se firmar e o filme de Porter se consagrou como um dos primeiros sucessos de público, atraindo multidões.  Nos anos seguintes, novos empreendedores começavam a abrir salas por todo os EUA, como Adolph Zukor (que depois seria presidente da Paramount Pictures), William Fox (depois comandaria a 20th Century Fox) e os irmãos Warner, Sam e Harry (um marco do surgimento da colossal Warner Brothers) entre outros.  Uma nova Era começava para a sétima arte.

por Fred Almeida

Referência Bibliográfica:
EVERDELL, William R..Os Primeiros Modernos. Rio de Janeiro: Ed Record, 2000.

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