Resenha #18 – O Nascimento de Uma Arte – Última Parte: D.W. Griffith

D.W. Griffith

Concluímos nossa série de seis textos sobre o nascimento do cinema voltando aos Estados Unidos nos tempos de D. W. Griffith e a Companhia Biograph. O cineasta é visto como o grande inovador da linguagem cinematográfica, ainda que também se preocupasse com o aspecto moral do contexto de seus filmes. Griffith possuía um estratagema para criar a dramatização, utilizando-se para isso, sobretudo, do par Campo/Contra-Campo, que começa a aparecer em sua filmografia na película “Drunkard’s Reformation. Estabelece este como um artifício que seria extremamente usado daí em diante, se transformando num dos pilares da linguagem do filme clássico.

 

David Wark Griffith nasceu no Kentucky, em 1875 e seus antepassados tinham tradição nas guerras lutadas dentro e fora dos Estados Unidos. O pai faleceu quando ele tinha sete anos e a família saiu do campo para a cidade. A iniciação de Griffith no show business se deu como ator de teatro o que lhe deu uma base fundamental para os feitos que viria alcançar depois, quando se tornaria o construtor da montagem alternada e do cinema de ação, centrado na figura do herói.

 

Em 1908 Griffith recebeu um convite da Biograph para ser diretor. Não tardou muito para fazer sucesso, se impondo como diretor hábil e competente, ajudando a alavancar a companhia. Destacava-se nesse período a inovação do diretor com relação ao uso do paralelismo em filmes como “After Many Years”, sob a tríade de separação/longa espera/retorno.  A esposa solitária, pensa no marido que está distante.  Este, na imagem que se sucede, aparece isolado numa ilha, pensando na família.  A montagem utilizada não obedece à linearidade das ações o que chocou os produtores da época, que acabaram por aceitar a defesa do gênio, baseada em Charles Dickens.

A Drunkard’s Reformation

Ainda na Biograph, o diretor encontra dificuldades para convencê-los de produzir filmes mais longos. Esta briga gera a rescisão contratual de Griffith com a firma.  Seu intuito é de dispor de mais tempo para estabelecer motivações e ampliar o significado da narrativa.  Começa a desenvolver um gosto pelo cinema sério-dramático, muito devido a sua formação no chamado “teatro legítimo”.  Ambiciona partir desta experiência associando-a com todas as possibilidades criadas pelas técnicas cinematográficas.  Uma destas técnicas, o plano americano, é constantemente utilizada por Griffith, pois este percebeu que deveria aproximar a câmera dos atores, de forma a mostrar um maior detalhamento dos gestos e interpretações.  Começa gradativamente a abandonar a visão frontal do espectador da platéia, para trazê-lo para mais próximo do drama. O primeiro plano torna-se fundamental neste tratamento.

Enoch Arden

Mais do que criar algo de novo, a maior contribuição de Griffith “foi dar sentido a figura do diretor, dar coerência, precisão e funcionalidade ao que antes era feito com certo desajeito”.  Griffith aproxima a câmera para perto dos atores e demonstra pleno domínio da técnica conjunto/detalhe/conjunto no filme “Enoch Arden” onde ele utiliza um plano americano e depois um próximo para mostrar uma mulher que entrega a seu amado um medalhão.

 

Entre 1908-13 acontece o ponto decisivo na guinada do cinema como arte, não só por conta da progressão da decupagem, mas na consolidação dos princípios que colocam o cinema como um meio artístico preocupado com o “coeficiente de realidade na composição do imaginário”.  É também neste período que Griffith consolida a figura do diretor como condutor da fotografia, atores e montagem do filme. Consolida também a estética da narrativa que perdurará até os dias de hoje. O resto é história.

 

por Fred Almeida

Referência Bibliográfica:
XAVIER, Ismail. W. Griffith, São Paulo: Ed. Brasiliense, 1984.
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