Resenha #20 – Curva do Destino (Detour, 1945)

Sejamos honestos:  “Curva do Destino”, dirigido por Edgar G. Ulmer, é um filme cheio de defeitos.  Os atores são limitadíssimos.  A baixa qualidade técnica, decorrência do baixíssimo orçamento, fica evidente em erros grosseiros como, por exemplo, cenas em que o motorista está do lado direito do carro, inaceitável se a ação se passa nos EUA.  Neste caso, é óbvio que o negativo foi invertido no momento da montagem.

 

O mais intrigante é que, apesar de todos estes problemas, “Curva do Destino” não foi esquecido.  Ao contrário, virou até um filme considerado cult e extremamente representativo do que foi o filme noir.  A causa disso está, sem dúvidas, no enredo.  Apesar de alguns furos e de várias inverossimilhanças, o roteiro é um dos que melhor desenvolve um dos temas noir mais freqüentes:  o pesadelo fatalista, o protagonista indefeso frente às garras do destino.


Al Roberts (Tom Neal), um sujeito sem dinheiro, precisa ir de Nova Iorque a Los Angeles para reencontrar a namorada.  Como está sem dinheiro, tenta viajar na base da carona.  Mas o destino é cruel com ele.  O que torna a história de Al Roberts mais contundente é o fato de ele ser um dos mais inocentes protagonistas noir.  A causa de seus problemas não é a ganância, ou o desejo por uma mulher perigosa.  Ele só queria reencontrar sua namorada.  Apesar disso, ele tem um azar fenomenal e inexplicável.

 

O ator principal, Tom Neal, é extremamente limitado.  Na vida pessoal ele esteve tão encrencado quanto nas telas. Foi banido de Hollywood em 1951, depois que encheu de pancada o ator Franchot Tone (por causa da atriz Barbara Payton). Franchot teve até concussão cerebral por causa da surra. Em 65 foi julgado pelo assassinato da mulher (Gale Bennett) e condenado a 10 anos (escapou por pouco da cadeira elétrica). Meses depois de sair em condicional (após cumprir 6 anos) ele foi encontrado morto.

 

O diretor é Edgar G. Ulmer, austríaco que foi assistente de Murnau durante 6 anos e estreou com um pseudo-documentário co-dirigido por Robert Siodmak (People on Sunday). Este longa ainda teve uma refilmagem em 1992, com o filho de Tom Neal no papel que havia sido de seu pai.

por Alexandre Cataldo

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