Resenha #24 – O Homem com o Braço de Ouro (The Man with The Golden Arm, 1955)

Este é um daqueles filmes que conta a história de um viciado, acompanhando a sua decadência, intercalada por tênues esperanças de recuperação e novas recaídas.  Em filmes assim, é natural que hoje em dia algumas situações nos pareçam clichês.  Mas em 1955, quando o filme foi lançado, ainda não era comum que o cinema tratasse do tema de forma tão direta e áspera, sem pieguice.  Claro que é obrigatório citar como exceção “Farrapo Humano” (“The Lost Weekend”), que dez anos antes apresentou de forma bem realista a história de um alcoólatra interpretado por Ray Milland.

 

Frank Sinatra tem uma boa interpretação, como Frankie Machine, viciado em heroína que, saindo da prisão, onde aprendera a tocar bateria, ambiciona virar músico e entrar para uma banda, largando de vez o vício e o “bico” como carteador de jogo ilegal.  Seu desejo era que o apelido “homem do braço de ouro”, recebido em virtude de sua habilidade com as cartas, pudesse ser utilizado como referência à sua habilidade com as baquetas na bateria.  Claro que as coisas não necessariamente vão sair como esperado.

 

A marca principal do filme é o seu tom angustiante.  No fundo, sabemos o tempo todo que Frankie é um homem sem salvação.  E suspeitamos que até ele mesmo desconfie disso, apesar de manter as esperanças na maior parte do tempo. Só há personagens angustiados e angustiantes.  Todos os que cercam Frankie são pessoas decadentes, problemáticas, viciados, escroques.  Sua mulher (Eleanor Parker) é aleijada e paranóica;  sua amante (Kim Novak, exuberante como sempre) está envolvida com um alcoólatra;  o melhor amigo de Frank é um pequeno delinqüente, responsável por pequenos furtos.  Completam a “troupe” seu “empregador” no jogo ilegal e seu fornecedor de heroína.  É impossível simpatizar com qualquer um deles.  É um universo completamente decadente.

 

Frank Sinatra tem ótima atuação, capaz de transmitir a inadequação de seu personagem.  Consta que o papel havia sido oferecido a Marlon Brando, mas Sinatra se ofereceu e conseguiu ser contratado antes que Brando pudesse responder.

A sensacional trilha sonora, a base de jazz, composta por Elmer Bersntein, ajuda a transmitir a desolação que ronda os personagens principais. Destaque também para o design da abertura, de autoria de Saul Bass, com seu marcante estilo gráfico, que também pode ser visto em filmes como “Um Corpo que Cai”, “Intriga Internacional”, “Psicose”, “Anatomia de Um Crime” e “Amor, Sublime Amor”.  Além dessas e de várias outras aberturas famosas, Bass é o criador de vários logotipos empresariais famosos, como os da AT&T e da United Airlines.

 

O filme teve três indicações ao Oscar, mas não levou nenhuma estatueta para casa: Melhor Ator (Frank Sinatra), Trilha Sonora (Elmer Bersntein) e Direção de Arte.

por Alexandre Cataldo

2 comentários sobre “Resenha #24 – O Homem com o Braço de Ouro (The Man with The Golden Arm, 1955)

  1. Esta na minha lista, ja faz um mes que estou com ele aqui pra assistir, Otto Preminger realmente pelo que ja assisti é grande diretor, deveria ser mais reconhecido.

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