Resenha #39 – Chaga de Fogo (Detective Story, 1951)


Mais que simplesmente um filme policial, “Chaga de Fogo” é um drama que acompanha um dia de trabalho na vida do amargurado detetive Jim McLeod (Kirk Douglas) e suas reações a diversos casos criminais que surgem na delegacia.

 

McLeod divide uma sala com outros colegas (destaque para os sempre bons coadjuvantes William Bendix e Frank Faylen).  Ao contrário da acomodação deles, Jim parece nutrir verdadeiro ódio por todos os tipos de criminosos e demonstra ser capaz de fazer de tudo para vê-los apodrecer na cadeia.

 

As várias histórias paralelas são mostradas de modo harmonioso, sem que pareça forçado.  Lee Grant está excelente como uma ‘shoplifter’ inquieta e assustada.  Joseph Wiseman (que anos depois encarnaria o primeiro antagonista de James Bond, o Dr. No) faz um ladrão de modos exagerados e falador.  O caso principal, entretanto, é o do médico interpretado por George Macready, contra o qual McLeod parece ter um ódio especial. Além dos casos que surgem na delegacia, o filme acompanha o relacionamento de McLeod com a esposa (Eleanor Parker).

 

“Chaga de Fogo” pode ser enquadrado entre os “filmes confinados”, nos quais a ação toda (ou quase toda) se desenvolve em um único ambiente.  Quase tudo se passa na sala dos investigadores, na delegacia.  Uma das poucas cenas fora dali é aquela em que McLeod conduz o médico até um hospital, para que seja reconhecido por uma testemunha.  O diretor William Wyler soube explorar muito bem esse ambiente confinado, sem que o filme fique cansativo. É freqüentemente classificado como filme noir.  Até concordo com isso, mas aqui os problemas do protagonista não surgem por causa de um defeito de caráter ou por uma tentação incontrolável, mas pela sua necessidade de ir a fundo em todos os casos e de “limpar a cidade”.

O filme teve quatro indicações ao Oscar:  atriz (Eleanor Parker), atriz coadjuvante (Lee Grant), diretor (William Wyler) e roteiro (Phillip Yordan e Robert Wyler). Existe em DVD no Brasil, lançado pela Paramount.

por Alexandre Cataldo

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6 comentários sobre “Resenha #39 – Chaga de Fogo (Detective Story, 1951)

  1. Apesar de não gostar muito do diretor William Wyler por exagerar no melodrama, pretendo assistir este filme. Assim como Robert Wise prefiro o “lado B” do diretor, filmes com Ben Hur, O morro do ventos uivantes e Os melhores anos de nossas vidas são medíocres. Prefiro A carta , Perfída e Da Terra nascem os Homens são muito melhores e subestimados.

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    • Fala, Vini.
      Bem, eu já acho Ben-Hur um grande filme. E os outros que você cita, todos eles, bons filmes também. Do Wyler, que você não citou (não sei se conhece) eu recomendo bastante o “Tarde Demais” (“The Heiress”, de 1949) e o “Infâmia” (“The Children’s Hour”, 1961).

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      • Sim pretendo assisti-los, Tarde Demais, Infâmia, O colecionador, Beco sem saída, Fogo de Outono, Jezebel e Galante e Aventureiro. Parabens pelo podcast e continuem trazendo dicas de filmes como Chaga de Fogo.

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