Resenha #47 – O Amanhã Que Não Virá (Kiss Tomorrow Goodbye, 1950)


Feito logo depois de “Fúria Sanguinária”, este filme criminal segue praticamente a mesma linha daquele, com James Cagney no papel de um bandidão exageradamente cruel e impiedoso. Os personagens são tão similares na sua malvadeza que se fosse feito nos tempos atuais “O Amanhã Que Não Virá” possivelmente se chamaria “Fúria Sanguinária II – Cody Jarret Lives”…

 

O filme se inicia com uma cena de um julgamento: sete réus nos são apresentados, pelas palavras do Promotor; alguns são acusados de assassinato, outros, de cumplicidade. Entre ele
s, temos dois policiais, um advogado e um guarda penitenciário. Ficamos sabendo que uma oitava pessoa deveria estar sendo julgada. A partir desse momento, como costuma acontecer na imensa maioria dos filmes noir, a história passa a ser contada através de vários flashbacks, introduzidos pelos depoimentos dos réus. Ficamos conhecendo o oitavo criminoso, o bandido Ralph Cotter (Cagney, claro), e vemos como ele “arrasta” para o crime todos os que cruzam seu caminho, desde de a bonita loura Holiday (Barbara Payton) até o advogado inescrupuloso (Luther Adler, ótimo), passando por dois policiais corruptos (Ward Bond e Barton MacLane).

Apesar das semelhanças com o Cody Jarrett de “Fúria Sanguinária”, Ralph Cotter consegue ser ainda pior. Jarrett era um psicopata completo, maluco mesmo, o que de certa forma até “justificaria” seu comportamento violento e megalômano; já Cotter, apesar de ser um sociopata, não é parece ser louco, o que o torna sua violência mais “gratuita” que a de Jarrett.

 

Há um momento intrigante no filme, quando Ralph Cotter diz ao advogado “esse não é o meu nome verdadeiro…se eu te dissesse meu nome verdadeiro, você ia morrer”. A fala fica sem explicação no filme, o que autoriza o espectador a imaginar que se trata de uma insinuação de que ele seria, na verdade, o próprio Cody Jarrett, milagrosamente salvo daquela explosão final em “Fúria Sanguinária”. Claro que é só uma hipótese.

 

James Cagney, como sempre, “É” o filme. Sua presença física (impressinante se considerarmos que ele já tinha 51 anos na época) e verbal, marcas registradas de todos os seus personagens, fazem com que domine todas as cenas em que aparece. Tanto é que mesmo com um bom elenco de coadjuvantes, não sobra espaço pra mais ninguém se destacar.

Quem gosta de filme criminal, certamente vai gostar deste. Não chega a ser tão bom quanto “Fúria Sanguinária”, mas é, mesmo assim, um ótimo filme. É estranho que seja tão pouco conhecido.

por Alexandre Cataldo

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