Resenha #56 – O Matador (The Gunfighter, 1950)

Há anos lia comentários sobre este filme, dizendo ser um exemplo de western com nuances de film noir.  Recentemente, pude assisti-lo e confirmar que se trata de um excelente “western psicológico”, dirigido por Henry King.  E tem, sim, grande similaridade temática com diversos filmes noir clássicos, centrados no protagonista que quer enterrar seu passado negro e construir uma nova vida, pacífica, ao lado da mulher que ama.  Invariavelmente, porém, dívidas antigas surgem a todo o instante em sua frente, dificultando seu propósito.

 

Gregory Peck, de bigode, está excelente no papel principal, do pistoleiro Jimmy Ringo, cansado da vida violenta e que quer apenas rever a ex-mulher, para tentar convencê-la a retomar o relacionamento.  Ringo é um personagem que demonstra extremo desconforto com a fama de matador impiedoso que tem.  Na verdade, é um sujeito rápido no gatilho, mas que matou bem menos gente do que se supõe e sempre por necessidade extrema (“eram eles ou eu”).  E agora quer se ver livre de tudo isso. O personagem de Ringo é tão desenvolvido e bem explicado, que o espectador torce o tempo todo por ele.
Destaque também para o personagem de Millard Mitchell, no papel de um ex-companheiro de Ringo, que agora é o xerife da cidade.  Karl Malden também está no filme, no papel do barman.

 

É impossível ver este filme e não compará-lo com “Matar ou Morrer” (High Noon, 1952).  A estrutura geral de ambos os filmes é muito parecida, apesar de termos enfoques até opostos (aqui o protagonista é o bandido, e não o xerife).  Algumas cenas em especial são idênticas, como a dos vilões que cavalgam lado a lado, em busca de vingança contra o herói.  Ou as várias imagens de relógios, mantendo uma marcação constante do tempo, apesar de o filme não ser exatamente em tempo real, como “Matar ou Morrer”. Em alguns aspectos, posso até dizer que “O Matador” me agradou mais que “Matar ou Morrer”.

 

Detalhe curioso:  este filme é citado na música Brownsville Girl, que Bob Dylan compôs na década de 80.

por Alexandre Cataldo em 02/08/2008.

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