Resenha #57 – A Morte Ronda o Cais (99 River Street, 1953)

O universo dos filmes noir é formado, para além de alguns poucos filmes realmente bem sucedidos na época do lançamento, por uma enorme quantidade de filmes B, completamente despretensiosos.  Alguns deles, porém, surpreendem pela boa qualidade.

 

“A Morte Ronda o Cais” chega bem perto dessa categoria.  Começa muito bem, com o diretor tentando deliberadamente  nos “enganar”.  Vemos uma luta de boxe, válida pelo título mundial.  Após o desfecho da luta, a câmera se afasta, e percebemos que estávamos assistindo a um programa de esportes na TV, que exibia uma retrospectiva da luta ocorrida alguns anos antes.  Em seguida vemos o homem que está assistindo ao programa.  É justamente o lutador derrotado naquela luta, Ernie Driscoll (John Payne).  Com a visão comprometida de modo irreversível, por conta daquela luta, Driscoll é, agora, um frustrado motorista de táxi.  E para piorar sua situação, sua mulher, mais insatisfeita ainda com a queda na renda e no prestígio do marido, o está traindo com um ladrão de jóias.

 

Os verdadeiros problemas de Driscoll começam quando o ladrão precisa se livrar da amante e resolve incriminar Driscoll.  Talvez aí comecem também os problemas do filme, que cai de ritmo justamente no momento em que deveria crescer.

 

John Payne faz o típico “homem comum”, sem qualquer tendência à maldade e que, apesar de ser constantemente ridicularizado pela mulher, ainda quer tentar reconquistá-la.  Não é um grande ator, mas também não chega a comprometer. Evelyn Keyes faz a “good girl” que, tal como em vários filmes de “homem errado” de Hitchcock, ajuda o protagonista a se livrar da enrascada.  Brad Dexter (que viria a ser um dos menos conhecidos dentre os sete homens do famoso faroeste “Sete Homens e Um Destino”) interpreta o gangster. Mas, em termos de atuação, o destaque vai para o coadjuvante Frank Faylen, sempre ótimo (“Farrapo Humano”, “Horas Intermináveis”, “Chaga de Fogo”).

 

Já o diretor Phil Karlson, que nunca conseguiu fazer sucesso de verdade, teve seu melhor momento numa sequência de filmes noir nesse período, dos quais este aqui é considerado o melhor.  Outros títulos são:  “Os Quatro Desconhecidos” (“Kansas City Confidential”), “Escândalo” (“Scandal Sheet”), “Ratos Humanos” (“Tight Spot”) e “The Phenix City Story”.

 

por Alexandre Cataldo

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