Resenha #60 – A Viagem do Capitão Tornado (Il viaggio di Capitan Fracassa, 1990)


O grande filme do diretor italiano Ettore Scola, é a quinta adaptação do romance de Théophile Gautier, “Le Capitaine Fracasse”, e expõe de forma curiosa e divertida um pouco da vida dos artistas de um teatro ambulante, espécie de companhia de encenação,  que depois ficou conhecida como “Comedia Dell’Arte”. Esta forma de expressão cênica é considerada como o surgimento do teatro moderno, rompendo com as tradições medievais populares e tomando como base os textos mais antigos, muitas vezes adaptações das tragédias gregas.

 

O filme de Scola nos serve como bela ilustração deste tipo de teatro. Ao contar a história de um Barão que segue viagem com uma trupe de atores, ele nos mostra o dia-a-dia dos artistas, seu modo de viver e de executar seu trabalho.  Como se inter-relacionam e como os personagens que representam nas peças acabam se misturando com suas personalidades. O exemplo claro disso é o caso de Pulcinella, muito bem interpretado por Massimo Troisi, o mesmo de “O Carteiro e o Poeta”.

 

Ao mesmo tempo que na “Comedia Dell’Arte”, o personagem Arlequim era normalmente um servo, o personagem de Troisi se esforça para ser o fiel empregado do Barão, num representação que mais lembra uma espécie de Sancho Pança. Este “novo” teatro é o responsável por dar uma organização profissional à arte, além de dar espaços para as mulheres atuarem. No filme, as personagens de Ornella Mutti e  Emanuelle Beart são bem ativas na companhia.  Outras características da Comedia Dell’arte também ficam evidentes no filme, como a importância da improvisação, ressaltada quando o Barão ao interpretar um personagem que era de um ator que morreu, descobre que é capaz de criar quando está em cena.

 

Assim como era costumeiro nas peças deste período, o roteiro do filme também gira em torno de desencontros amorosos.  Mas não é só o roteiro que se aproxima do tema escolhido. A própria cenografia e fotografia parecem ter sido escolhidas de maneira a imitar as próprias peças da Comedia Dell’arte.  Os cenários não são tão realistas e a fotografia com cores quentes e frias muitas vezes bastante saturadas nos servem para criar uma impressão de representação, de uma espécie de “falsificação” de um mundo real.

por Fred Almeida

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