Resenha #63 – Homens no Fundo (Uomini sul Fondo, 1941)

Este filme, dirigido por Francesco De Robertis, acompanha as tentativas de resgate de um submarino italiano, o A-303, e de sua tripulação.  Após um incidente durante um treinamento militar, acaba impossibilitado de emergir e a tripulação corre risco, já que o suprimento de oxigênio irá durar por apenas mais 30 horas. Rodado entre 1939 e 1940 (apesar de distribuído apenas em 1941), o filme está entre os primeiros sinais do engajamento cultural italiano no esforço de guerra, ante à iminente entrada na Segunda Guerra Mundial (que se daria em 10/06/1940).

 

O Ministério da Cultura Popular do governo Mussolini já tentava mobilizar há algum tempo as produtoras.  Mas apenas em 1941 é que ocorreria um acordo formal, prevendo nove filmes nos anos seguintes, dos quais os mais conhecidos atualmente são dois de Roberto Rossellini: La Nave Bianca (1941) e Un Pilota Ritorna (1942). Antes disso, no entanto, Francesco De Robertis, ele próprio Oficial da Marinha Italiana e diretor do “Centro Cinematografico do Ministério da Marinha”, já tratara de abrir caminho.  Com a Itália ainda em pré-guerra (mas já em “estado de vigília”), concebe um curta de propaganda (Mine in Vista, 1939) e escreve o roteiro de La Nave Bianca (algumas fontes dizem que ele co-dirigiu com Rossellini).  E também concebe o primeiro filme de sua chamada “tetralogia da guerra naval”, justamente “Uomini sul Fondo”, com Rossellini como assistente de direção e Mario Bava como diretor de fotografia.  É de se salientar que o filme foi lançado já com o país em guerra.  A “tetralogia” seria completada com: (2) Alfa Tau, de 1942, este sim, já parte daquele acordo comentado anteriormente. Premiado no Festival de Veneza;  (3) Uomini e Cieli, de 1943 mas distribuído apenas em 1947, também com Bava; e (4) Marinai senza Stelle (de 1943, distribuído somente em 1949).

Eu, particularmente, procuro ver os filmes como retratos de suas épocas e contextos (bons ou ruins, agradáveis ou deploráveis).  Tantos filmes propagandistas estão entre meus prediletos (Soy Cuba, de Kalatozov; Alexander Nevsky, de Sergei Eisenstein; e outros)… Não tenho bloqueios por conta disso.  Então, ainda que se possa torcer o nariz para o contexto em que está inserido (uma exaltação da bravura dos militares, com tom claramente propagandista), o filme tem o seu valor como cinema.

 

Para começo de conversa, o suspense criado é evidente (como aliás é característica de qualquer filme de desastre).  Então quem gosta do gênero ou filmes de submarino, tem tudo para gostar deste.  Mas o que talvez chame mais a atenção aqui é o fato de terem sido utilizados apenas militares de verdade (e nenhum deles ator profissional, portanto), o que, além de conferir aquele tom de documentário, prenuncia algo que seria um dos pilares do movimento neorrealista que viria a aflorar poucos anos depois.  O filme, aliás, foi sucesso de bilheteria.  E pelo que os jornais da época registraram, não apenas pelo tema militar, mas por sua nova estética.

 

Cabe, sem dúvida, uma atenção aos filmes de Francesco De Robertis, especialmente por ter sido, involuntariamente, um dos precursores do neorrealismo.

 

Este filme é conhecido fora da Itália como S.O.S. Submarine ou S.O.S. 103.

 

Cinéfilos vão achar similaridade entre a música aos 55 minutos de filme e a música tema de um famosíssimo filme de 1975, também ambientado no mar (não falarei qual é… quem descobrir comenta aqui).

 

por Alexandre Cataldo

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