Resenha #65 – A Dália Negra (The Black Dahlia, 2006)

Como aficcionado pelos filmes noir, não poderia deixar de assistir a este filme de Brian De Palma.  Entretanto, havia lido mais críticas ruins do que boas sobre ele. E isso fez com que eu tenha ido assisti-lo com muito pouca expectativa (aliás, quase que com uma expectativa ruim), o que geralmente é muito bom, pois só temos a nos surpreender positivamente.  Foi o que aconteceu.

 

Não que o filme tenha me encantado a ponto de eu dizer que se trata de um filmaço.  Não é, com toda certeza.  Mas “A Dália Negra” tem elementos suficientes para poder ser considerado, pelo menos, um bom filme.  Mas, para isso, temos que deixar de lado as nossas impressões prévias quanto a De Palma, e a nossa tendência a achar que seus filmes são compostos apenas de citações, referências e cópias descaradas de outros filmes.

 

“A Dália Negra” é, também, um neo-noir digno do gênero (se é que o mesmo existe).  Tem tudo o que é necessário:  iluminação o mais sombreada que se pode esperar de um filme colorido, narração em primeira pessoa e em off, policial corrupto, policial envolvido pessoalmente com o crime, mulher fatal, policial envolvido por mulher fatal, personagens asquerosos e muito mais.  É claro que em qualquer filme neo-noir, estes elementos todos parecem ter sido colocados ali artificialmente (e não aconteceram, simplesmente, como num noir clássico, quando os realizadores nem tinham idéia de que estavam fazendo filmes noir). Scarlett Johanson é, ainda, uma incógnita pra mim.  Ela é boa atriz e é bonita, mas sempre fico com a impressão que ela não tem jeito pra interpretar mulheres fatais, como parecem querer em todos os filmes com ela.

 

A fotografia escurecida e com cores tênues faz com que a atmosfera noir do filme não seja totalmente dissipada (como ocorre em neo-noirs carregados de cores). As referências cinematográficas dão um toque especial ao filme.  A mais óbvia e importante delas é a “O Homem Que Ri”.  Mais sutis são as referências a “A Dália Azul”, filme de 1946, com Verônica Lake, e a “O Anjo Diabólico”, anunciado no letreiro de um cinema, em uma das cenas.  Como se não bastasse, os nomes de David Selznick e de Mack Sennett são citados várias vezes.

 

Mas a referência mais sutil de todas (e nem sei se foi intencional no filme, mas me pareceu bem clara) foi a irmã da personagem de Hilary Swank, uma mocinha de aparência meiga, mas depravada.  Aquela ali é a própria Carmem Sternwood, de “À Beira do Abismo”…Coincidência ou não, a nome da personagem (Martha) é o mesmo da atriz que fez Carmem (Martha Vickers).

por Alexandre Cataldo

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