Resenha #76 – Nasce um Criminoso (They Made Me a Criminal, 1939)

Este não é propriamente um filme noir, mas sim um típico filme criminal da Warner nos anos 30. Sofre com algumas críticas negativas, por conta principalmente da inventividade do roteiro (o qual contém situações um tanto inverossímeis) e da escalação inadequada de Claude Rains para o papel de um detetive de polícia novaiorquino. O filme é lembrado também como uma das raras vezes em que Busby Berkeley dirigiu um filme não musical.

Temos uma história bastante similar a “O Fugitivo” (“I am a Fugitive from a Chain Gang”, Mervin Leroy, 1932), no qual Paul Muni, um homem decente e que busca uma chance de subir na vida, é envolvido involuntariamente num assalto e vê sua vida e seus sonhos ruírem completamente. Aqui é John Garfield, ainda um iniciante nas telas, mas já com status de astro da Warner, que interpreta o protagonista, o boxeador Johnny Bradfield.

(SPOILERS)
Na noite em que conquista o título mundial de boxe, Johnny comemora em seu apartamento, numa festinha particular com o empresário, a namorada, uma amiga dela e um amigo desta última. Lá pelas tantas, já bêbado, descobre que o outro cara é um repórter que queria um furo de reportagem, do tipo “campeão mundial bebe até cair, na comemoração”. Briga com o sujeito e acaba desacordado.

No dia seguinte, ao acordar, vê que as manchetes dos jornais dão conta de sua morte, juntamente com a namorada, num acidente de carro, enquanto fugiam da polícia, após ter assassinado o repórter. Apesar da bebedeira, tem a convicção de que é inocente, mas aproveitando-se do fato de estar sendo dado como morto (os corpos encontrados estavam carbonizados) e usando nome falso, foge para o Arizona e encontra emprego numa fazenda de propriedade de uma velha senhora, onde se faz um trabalho de reabilitação de menores delinqüentes (quem mais além dos Dead End Kids?). Seu segredo, entretanto, é posto à prova quando ele não resiste e aceita desafiar um boxeador profissional, por dinheiro.

(FIM DOS SPOILERS)

As cenas de luta são bem feitas. O fotógrafo James Wong Howe sabia como filmar as lutas, o que viria a confirmar em 1947, em “Corpo e Alma” (outro filme de boxe com John Garfield). Temos aí um filme que certamente pode ser considerado como um precursor dos filmes noir, pelo redemoinho em que o protagonista é jogado de uma hora pra outra.

Um grande equívoco, porém, é a escalação de Claude Rains para o papel do um detetive novaiorquino que desconfia que Bradfield esteja vivo. Ele declarou várias vezes que foi um dos papéis em que se sentiu mais inadequado e que foi obrigado pelo estúdio a fazer o filme, sob pena de suspensão.

por Alexandre Cataldo

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