Resenha #77 – Do Lodo Brotou Uma Flor (Ride the Pink Horse, 1947)

Este noir foi dirigido pelo também ator Robert Montgomery, que um ano antes havia feito “A Dama do Lago”, filme que ousou ao experimentar o uso da câmera subjetiva do início ao fim, mas que nem por isso se tornou um bom filme.

Este aqui, ambientado num povoado do Novo México, conta também com alguns momentos interessantes de direção (como a cena inicial, toda num único plano, que acompanha o protagonista desde o ônibus no qual chega ao povoado até o momento em que deixa a estação) e tem ainda a boa atuação do gorducho Thomas Gomez, que lhe valeu indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante. Pode ser considerado bem superior a “A Dama do Lago”, mas no geral também deixa um pouco a desejar.

Se o Robert Montgomery diretor tem lá as suas qualidades, o Robert Montgomery ator principal parece mecanizado demais no filme. Em nenhum momento convence como o homem que pretende fazer frente a uma gangue de criminosos.

Mais uma vez temos aqui o recorrente tema do ex-militar da Segunda Guerra, que não tendo conseguido se readequar à vida normal, acaba flertando com o submundo (no caso, fazendo chantagem com gangster).

O título deste filme é um belo candidato ao prêmio de um dos mais esquisitos títulos já inventados. No original, remete ao carrossel de propriedade do personagem de Thomas Gomez (Pancho) e em cujo cavalinho cor-de-rosa a tímida garota local, encantada pelo americano, dá uma voltinha. O título brasileiro é até mais apropriado, porque simboliza a transformação pela qual passa o protagonista, indo da completa amoralidade (quando de sua chegada) até o despertar de alguma integridade (quando de sua partida), descoberta a partir de seu breve relacionamento com Pancho e com Pilar, a garota mexicana que gruda nele.

Montgomery, que havia se iniciado na direção ao substituir John Ford em “They Were Expendable” (1945), não chegou a ter sucesso como diretor (como ator havia obtido duas indicações ao Oscar). Hoje é lembrado muito mais como o pai de Elizabeth Montgomery, a Samantha da série televisiva dos anos 60, “A Feiticeira”.

por Alexandre Cataldo

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