Resenha #86 – Sonha, Meu Amor (Sleep, My Love, 1948)

 

Se tivesse que falar sobre este filme em uma só frase, diria: “um bom entretenimento, apesar dos inúmeros defeitos”. Para um filme que se propõe a ser de mistério, “Sonha, Meu Amor” tem como principal defeito justamente a ausência total de mistério. Sim, porque qualquer pessoa com um certa experiência em filmes em geral (e em filmes noir, especificamente) sabe, desde o princípio, tudo o que vai acontecer. O que nos é apresentado de forma explícita é que Claudette Colbert está fazendo coisas enquanto dorme. Na cena de abertura, ela acorda num trem e fica desesperada, pois a última coisa de que se lembra é, em casa, ter tomado o seu chocolate quente e se deitado. Como fora parar ali? Logo em seguida, vemos o seu marido (Don Ameche) conversando com um detetive de polícia, falando sobre o desaparecimento da mulher. Mesmo não sendo dito, todo mundo sabe quem a está sedando para dormir e, depois, a hipnotizando.

O mestre Hitchcock nos ensinou que, mesmo quando o espectador já conhece “a coisa toda” de início, ainda assim pode sair um bom filme, com cenas de suspense bem construídas, em que as emoções do espectador são “manipuladas” pela direção e pela edição do filme.

Mas infelizmente este não é um filme de Hitchcock. É do alemão Douglas Sirk, de quem eu não havia visto nada antes. E este filme não chega a recomendá-lo.

Segundo problema: temos alguns personagens que parecem saídos de um fictício “Manual do Filme Noir”, de tão artificiais que são, como a vamp interpretada pela belíssima Hazel Brooks.

Terceiro: temos alguns atores inadequados para os papéis. Claudette Colbert não convence como uma mulher totalmente ingênua e manipulável. Robert Cummings, com sua já conhecida “baixa-voltagem”, não combina com o papel de mocinho da história.

E, por fim, temos o desperdício de Raymond Burr, que faz o detetive de polícia. O cara só aparece duas vezes no filme. E quem faz toda a investigação é o “civil” Robert Cummings. Onde estava a polícia o tempo todo?  É incrível, mas mesmo com tantos defeitos, é um filme razoável, que pode ser prazeroso de ser assistido se a expectativa não for alta.

Quem viu “À Meia-Luz”, com a Ingrid Bergman, vai notar algumas semelhanças…Sabem como é…marido querendo “drive his wife crazy”…

por Alexandre Cataldo

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