PODCAST: Episódio #132 – Limite

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Alexandre e Fred encontram o músico Pedro Bizelli no cais do porto e juntos embarcam numa canoa pra ficar no mar à deriva conversando sobre “Limite”, único longa metragem dirigido por Mário Peixoto, mas que se tornou um dos filmes mais aclamados dentro do Brasil e internacionalmente também. Exibido pela primeira vez em 1931 no Rio de Janeiro, o filme não chegou a ser lançado comercialmente na época e por anos ficou apenas no imaginário de vários críticos e entusiastas que sonhavam em ver a obra-prima de Peixoto.  Alguns pesquisadores de cinema famosos como o francês Georges Sadoul chegaram a vir no país atrás do filme, apenas para descobrir que a cópia existente não tinha condições de exibição.  Por esforço de vários, o filme passou por pelo menos dois grandes processos de restauração que mantiveram intacta a maioria dos frames deste grande clássico nacional. 

Trilha Sonora: Trilha Composta por diversos compositores e utilizadas no filme em questão.
Duração: Aprox. 1 h e 12 min.

VÍDEOS QUE COMPLEMENTAM ESTE EPISÓDIO

Extrato do documentário “O Mar de Mário”

A cena do cemitério, com participação do próprio Mário Peixoto.

Um pouco sobre a restauração de “Limite”.


5 comentários sobre “PODCAST: Episódio #132 – Limite

  1. Esse filme foi o único dirigido por Mário Peixoto.
    Achei uma pena que ele não tenha se esforçado em prosseguir carreira.Limite quando vi pela primeira vez não gostei achei muito parado mas quando vi pela segunda vez amei e vi de novo esses dias.É realmente um clássico do cinema nacional.
    Mesmo mudo e praticamente sem diálogos não deixa de ser um filme interessante.
    Duas mulheres e um homem em alto-mar dentro de uma canoa.
    Esse filme exige paciência afinal é um filme lento mas como eu disse bem interessante.
    Tanto que a própria cidade Mangaratiba é uma referência turística e em relação ao filme.
    Limite realmente é o quarto filme a ter destaque mas se contarmos com São Paulo SA que esteve no Dicas Triplas já é o quinto.
    Ninguém pode falar que o PFC não valoriza os filmes brasileiros e realmente temos obras excelentes.

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  2. Minha interpretação sobre os simbolismos de “Limite” e qual seria sua linha narrativa ‘escondida’:

    [SPOILERS]

    Desde o início o filme remete a ideia de encarceramento. Em certo momento temos a informação de que uma mulher fugiu da prisão. Mais a frente, o próprio longa-metragem compara a instituição do casamento com o de uma prisão – no olhar de desprezo que uma mulher lança ao marido fracassado, e até mesmo nas grades da janela da casa do casal (aliás, o filme INTEIRO é rodeado de cercas e grades que aprisionam os personagens) A tal ‘fuga da prisioneira’ poderia ser, então, a ‘fuga’ de uma esposa qualquer que abandonou o marido – não necessariamente um abandono de fato, pode ser um simples abandono afetivo.

    Essa mulher desesperada acaba sendo salva (em uma cena que chegou a existir, mas que ficou perdida no tempo, sendo indicada hoje por um intertítulo) pelos “braços” de outro homem (ou, simbolicamente, pelo “barco” de outro homem) percebam portanto que todas as cenas no barco são na verdade puramente metafóricas, são apenas representações de como os personagens se sentem. Só que esse homem não está sozinho, ele já está com outra mulher nesse barco (logo, ele já é casado).

    Mas aquele barco com aquele casal já estava à deriva antes mesmo de surgir a “amante”, e parece não ir para lugar nenhum, por mais que os personagens remem. Novamente, a ideia do casamento como algo que aprisiona.

    Eventualmente, a primeira moça morre. Há o confronto entre o esposo traído e o amante no cemitério. A partir daqui as coisas começam a ficar mais vagas, e cada vez mais abstratas. O diálogo dá a entender que o falecimento se deu por lepra, mas as atuações das duas mulheres no barco – e, principalmente, o sentimento de culpa de uma delas que não consegue olhar de frente para a outra – pode levar a indicar um possível assassinato (na cena da praia, um casal não identificado entra no mar, mas alguns minutos depois apenas o homem sai com as próprias pernas, carregando o que poderia ser o corpo da moça afogada). Então talvez o barco seja, na verdade, mais do que um símbolo do casamento, pode ser um símbolo do sentimento de culpa, da consciência pesada que aquele casal carrega pela morte da moça. Daquela presença que talvez não esteja de fato presente.

    Ao final, o homem abandona a esposa, o barco afunda, e a ela só restam os destroços.

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  3. Olá. Descobri o podcast de vocês agora durante a pandemia. Estou adorando. Aprendi muito! Deixo uma sugestão para tema futuro: um podcast sobre o diretor e roteirista Preston Sturges, que infelizmente não é muito lembrado pelo público em geral. Valeu! Um abraço.

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      • Valeu, Fred. Ele merece ser relembrando. Fiquei feliz em saber que o próximo programa de vocês será sobre “Os bons companheiros”, meu Scorsese favorito. Um abraço!

        Curtido por 1 pessoa

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