Episódio #38 – Contos da Lua Vaga

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Alexandre e Fred surgem como fantasmas no Episódio 38 para conversar sobre o excelente “Contos da Lua Vaga” (Ugetsu Monogatari, 1953), filme japonês dirigido por Kenji Mizoguchi e que foi – ao lado de Rashômon, de Akira Kurosawa – um dos responsáveis por tornar o cinema nipônico popular no ocidente na década de 50. Cultuado por cineastas de todo o mundo e principalmente pelos franceses da Nouvelle Vague, este clássico oriental, produzido durante a chamada “era de ouro” do cinema japonês, mereceu o Leão de Prata que conquistou no Festival de Veneza e agora faz por merecer também um episódio no Podcast Filmes Clássicos inteiramente dedicado a ele e a um dos maiores diretores do Japão, o Sr. Mizoguchi, autor de outra obras memoráveis como “Oharu – Vida de uma Cortesã” e “O Intendente Sanshô“.

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Resenha #41 – Feras Que Foram Homens (Three Came Home, 1950)

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Um bonito filme, baseado no livro autobiográfico da escritora americana Agnes Newton Keith, que vivia na ilha de Bornéu e foi feita prisioneira dos japoneses, juntamente com seu filho, por vários anos durante a Segunda Guerra Mundial.

Dirigido pelo competente Jean Negulesco (o mesmo realizadfor dos excelentes “Acordes do Coração” e “Johnny Belinda”), o filme mostra a separação forçada entre Agnes e seu marido (interpretado por Patrick Knowles), já que os homens foram mandados para um outro campo de prisioneiros. Ela passa mais de dois anos sem qualquer notícia dele.

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Resenha #40 – Ato de Violência (Act of Violence, 1948)

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Vingança e culpa. Estes são os dois temas principais deste ótimo filme noir do diretor Fred Zinnemann, mais uma obra que trata dos nefastos desdobramentos da Segunda Guerra nas vidas daqueles que estiveram em combate.

Frank Enley (Van Heflin) e Joe Parkson (Robert Ryan) eram dois oficiais aviadores que, juntamente com vários outros companheiros, foram feitos prisioneiros pelos nazistas. Uma determinada atitude de Enley (que só ao longo do filme nos é explicada) acaba por levar os outros oficiais à morte. Somente ele e Parkson sobrevivem, sendo que este fica aleijado e com problemas psicológicos. Anos depois, ao sair do hospital, Parkson vai à procura de Enley, agora um cidadão exemplar, casado e pai. De início, o espectador não sabe exatamente a motivação de Parkson, em seu insano desejo de vingança. Vê apenas, desde a abertura, um homem manco e nitidamente obcecado, que cruza os EUA atrás de outro.

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Episódio #37 – Os Filmes de Billy Wilder – Parte 1

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No episódio 37, Fred e Alexandre voltam a trabalhar com a filmografia de um grande nome do cinema mundial, o escolhido da vez é Billy Wilder, austro-húngaro que fez brilhante carreira nos Estados Unidos onde começou roteirista e terminou diretor, roteirista e produtor. No primeiro de três episódios desta série sobre o cineasta, abordamos desde seu primeiro trabalho na direção, quando co-dirigiu o filme francês “A Semente do Mal” (Mauvaise Graine, 1934) até um de seus mais aclamados filmes, o clássico absoluto “Crepúsculo dos Deuses” (Sunset Blvd., 1950), que junto com “As Cinco Covas do Egito” (Five Graves to Cairo, 1943), “Pacto de Sangue” (Double Indemnity, 1944) e “Farrapo Humano” (The Lost Weekend, 1945) representam seus melhores trabalhos no período. Venha conhecer mais da carreira de Billy Wilder, realizador que como poucos sabia transitar entre diversos gêneros, sempre com roteiros inteligentes e diálogos arrojados.

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Resenha #39 – Chaga de Fogo (Detective Story, 1951)

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Mais que simplesmente um filme policial, “Chaga de Fogo” é um drama que acompanha um dia de trabalho na vida do amargurado detetive Jim McLeod (Kirk Douglas) e suas reações a diversos casos criminais que surgem na delegacia.

McLeod divide uma sala com outros colegas (destaque para os sempre bons coadjuvantes William Bendix e Frank Faylen).  Ao contrário da acomodação deles, Jim parece nutrir verdadeiro ódio por todos os tipos de criminosos e demonstra ser capaz de fazer de tudo para vê-los apodrecer na cadeia.

As várias histórias paralelas são mostradas de modo harmonioso, sem que pareça forçado.  Lee Grant está excelente como uma ‘shoplifter’ inquieta e assustada.  Joseph Wiseman (que anos depois encarnaria o primeiro antagonista de James Bond, o Dr. No) faz um ladrão de modos exagerados e falador.  O caso principal, entretanto, é o do médico interpretado por George Macready, contra o qual McLeod parece ter um ódio especial.

Além dos casos que surgem na delegacia, o filme acompanha o relacionamento de McLeod com a esposa (Eleanor Parker).

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Resenha #38 – A Espada Bijomaru (Meitô Bijomaru, 1945)

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O diretor Kenji Mizoguci é reconhecido, pelos cinéfilos ocidentais, como um dos três grandes diretores japoneses antigos, juntamente com Ozu e Kurosawa. Desde que vi pela primeira vez um filme de Mizoguchi, já há mais de uma década (e foi aquele que geralmente é o primeiro visto por qualquer cinéfilo, “Contos da Lua Vaga”, seu filme mais famoso), percebi que estava diante de um diretor fundamental para o cinema como um todo. Sua câmera fluida, valorizando enormemente cenários e atuações, encanta até mesmo quem assiste a um filme sem prestar atenção nesses detalhes. Claro que, na época, fui atrás de outros mais comentados, como “Oharu – A Vida de Uma Cortesã” (que depois vim a saber que por muitos é considerada “a quintessência de Mizoguchi”, como bem coloca o crítico Sergio Alpendre, profundo conhecedor e admirador da obra do diretor), “Intendente Sansho”, “Crisântemos Tardios”, “Os Amantes Crucificados”, “Senhorita Oyu”, “As Irmãs de Gion”, “Elegia de Osaka”, “Música de Gion” e sua versão (em duas partes) da clássica história dos “47 Ronin”. Além deles, ainda pude ver dois gendai-geki (histórias contemporâneas) que abordavam o mundo das prostitutas, “Mulheres da Noite” e “Rua da Vergonha” (seu último filme, do mesmo ano de sua morte, 1956).

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Episódio #36 – Ladrões de Bicicletas

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A Itália neo-realista está bem representada no episódio 36, em que Alexandre e Fred revisitam o excepcional clássico da década de 40 intitulado “Ladrões de Bicicletas” (“Ladri di biciclette“, 1948). Dirigido por Vittorio De Sica e com roteiro de Cesare Zavattini e do próprio diretor (entre outros), o longa é um dos grande expoentes de um dos mais importantes e influentes movimentos cinematográficos da história do cinema mundial, o chamado “neo-realismo italiano”. Ancorado numa história simples, o filme de De Sica nos atinge de forma contundente e nos faz imergir na Roma do pós-guerra através dos detalhes realistas e da linguagem crua e direta que caracterizavam esta nova forma de se fazer cinema, que havia nascido antes com filmes como “Obsessão” (Visconti, 1943) e “Roma, Cidade Aberta” (Rossellini, 1945). “Ladrões” recebeu um Oscar especial (na época não havia a categoria de “melhor filme estrangeiro”) e também faturou o BAFTA e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. Foi eleito o melhor filme do cinema mundial na primeira lista organizada pela revista “Sight & Sound” em 1952.

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Resenha #37 – The Up Series (1964 a 2012)

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O recente “Boyhood”, filme de Richard Linklater que se propôs a registrar numa obra ficcional o crescimento real de um menino ao longo de doze anos, tem uma interessante premissa, mas que fica um tanto diminuída ao se comparar com o trabalho de Michael Apted para construir um dos melhores documentários já feitos.  Apted (que chegou a dirigir James Bond em “O Mundo Não é o Bastante”) pegou o trabalho de Paul Almond no primeiro episódio da série (o média-metragem “Seven Up!”, de 1964) e fez um registro de mais de quarenta anos da vida de treze crianças (no início são quatorze e algumas vão e voltam até o final da série, mas um abandona o projeto no meio), sempre de sete em sete anos, para acompanharmos a vida daquelas pessoas ao longo do tempo. São mais de dez horas de documentário, divididos em oito partes e as crianças começam com sete anos (“Seven Up!”) e terminamos por vê-las adultas com 56 primaveras (“56 Up!”, de 2012).

O projeto é ambicioso desde o início: primeiro cabe ressaltar a força de vontade de manter um projeto vivo ao longo de tanto tempo e depois, impressiona a dificuldade que deve ter sido convencer todos os entrevistados a participar ao longo de cada oportunidade, quando abrem suas vidas para o público inglês (o documentário se tornou um popular programa da TV inglesa, sempre esperado ansiosamente a cada sete anos). Leia o resto deste post »

Resenha #36 – Brutalidade (Brute Force, 1947)

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Excelente filme de prisão, dirigido por Jules Dassin. Apesar de estar repleto de clichês do gênero (cenas em refeitórios, planos de fuga, tentativas frustradas, flashbacks justificando os crimes cometidos), “Brutalidade” talvez seja marcante por dar destaque não só aos personagens dos presidiários, mas também àqueles dos funcionários do presídio (diretor, médico e carcereiro).

O título do filme não engana:  trata-se de um filme repleto de cenas violentas.  A brutalidade em questão é a que domina todos dentro do presídio, a começar pelo chefe dos carcereiros, Capitão Munsey (Hume Cronyn, em marcante interpretação, possivelmente a melhor de sua carreira).  Ele é um sádico que usa de requintes de crueldade para ameaçar e torturar os detentos, além de induzi-los a delatar os companheiros.

Ficam evidentes os traços nazistas na sua personalidade:  além da sede alucinada pelo poder (no caso, o cargo de diretor do presídio), ele tortura um preso ao som de Tanhauser, de Wagner, compositor predileto de Hitler.  E em seu escritório há um quadro dele mesmo, em pose de líder.  Contraditoriamente, porém, sua brutalidade parece conviver com alguns trejeitos levemente efeminados.
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Episódio #35 – Rastros de Ódio

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No episódio 35, Fred, Alexandre, Sergio e o Podcast Filmes Clássicos voltam ao velho oeste norte-americano em busca de mais informações sobre o excelente western dirigido por John Ford em 1956, intitulado “Rastros de Ódio” (The Searchers). Hoje reconhecido como um dos melhores filmes do cinema mundial (ocupa a sétima colocação da lista da revista Sight & Sound), o longa foi esnobado pela Academia no Oscar de 1957 e recebeu recepção fria dos críticos na época. Com o passar do tempo, diretores da “Nova Hollywood” como Spielberg, Scorsese, Bogdanovich, entre outros, demonstraram em suas obras, seu apreço pelo filme, o que em muito serviu para aumentar a popularidade da película. Com um roteiro baseado numa história real e uma fotografia deslumbrante em VistaVision, este se tornou um dos maiores westerns já feitos e agora está devidamente homenageado em nosso podcast. 

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