Resenha #30 – A Um Passo da Liberdade (Le Trou, 1960)

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“A Um Passo da Liberdade” (ou, em tradução literal do título francês Le trou, “o buraco”) conta a história de cinco prisioneiros que tentam escapar da prisão La Santé, em Paris, pelos esgotos.

O diretor e roteirista Jacques Becker insistia que a história era totalmente baseada em fatos reais. Reforça essa suposta fidedignidade o fato de Jean Keraudy, um dos envolvidos no caso real, atuar como Roland, que praticamente é o líder dos fugitivos. É ele, também, que faz uma breve introdução ao filme, antes dos créditos iniciais. Além disso, outros dois participantes na fuga ajudaram na reconstituição dos detalhes, durante as filmagens.

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Bolão PFC Oscar 2016 !

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Estamos lançando o Bolão PFC Oscar 2016!

Beautiful angel woman in theatre

O primeiro e segundo colocados ganharão DVDs!

Quem quiser participar deve preencher a cédula de votação que estamos disponibilizando no Grupo Podcast Filmes Clássicos, no Facebook entre este Sábado e Segunda de Carnaval, dia 8 de fevereiro! Depois não aceitaremos mais inscrições, ok?

 Segue o link para a planilha “Cédula de votação”. Depois de preenchida deve ser enviada para [email protected].

 Depois de colhidas todos os palpites, publicaremos uma planilha no mesmo grupo para os participantes acompanharem o ranking do bolão em tempo real junto com a cerimônia do Oscar que ocorrerá dia 28 de fevereiro…

 Participem!

Episódio #32 – Dicas Triplas do PFC #2

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Neste episódio #32 retomamos a série “Dicas Triplas do PFC”, em que Alexandre, Fred e Sergio trazem três indicações de filmes (um por cada participante) que consideramos que deveriam ser mais conhecidos pelos cinéfilos em geral. Os três longas indicados têm nacionalidades diferentes e um deles é de um diretor bastante famoso. Nossa intenção aqui é que aqueles que não assistiram os filmes indicados fiquem livres dos spoilers e, por isso, reservamos eles para o fim do episódio (as revelações começam com 57 minutos e 50 segundos).  Espero que gostem das escolhas desta vez!

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Resenha #29 – Ran (Ran, 1985)

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Ran é provavelmente um dos últimos grandes filmes de Akira Kurosawa. Ele foi produzido em 1985, num período pouco prolífero (em termos de quantidade de filmes) do japonês, época em que praticamente realizava um filme a cada cinco anos (fato corriqueiro entre 1965 e 1990). Entretanto, o filme é consagrado como um dos melhores de Kurosawa e como poucos na filmografia do mestre, foi feito a cores. O longa é de uma beleza notável e consegue como poucos, dar uma interpretação visual impressionante a partir da obra literária de Shakespeare, intitulada King Lear (Rei Lear, no Brasil).  Suas cores, seus planos, sua direção de arte e sua fotografia são primorosas, bem como a atuação dos atores centrais, sobretudo Tatsuya Nakadai, que interpreta Hiderota, o ponto central de um clã no Japão feudal que traça paralelos com a Bretanha de Lear.

Ran talvez seja o filme do diretor que mais dialogue com as idéias originais concebidas por Shakespeare ao escrever sua história. Apesar de ter modificado alguns personagens e ter deixado de lado outros, aqueles centrais, que se encarregam de mover a narrativa para frente, estão presentes e com uma força impressionante.  Em Ran (que em português significa “caos”), Lear é substituído pelo Lorde Hiderota, chefe de um clã e pai de três filhos, o primogênito Taro e os outros dois: Jiro e Saburo. Como na peça, logo de início ele toma uma decisão que o colocará em perigo a partir daí: apesar do protesto de seus outros dois filhos, decide abdicar de seu trono e ceder seu comando para seu filho mais velho. É especialmente interessante notar que Kurosawa substitui as três filhas do original de Shakespeare por três homens, mas no entanto, como veremos durante o filme, é a influência de uma mulher que trará o caos para o feudo.  Leia o resto deste post »

Resenha #28 – Pacto Sinistro (Strangers on a Train, 1951)

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Um dos grandes filmes de Hitchcock. Menos famoso do que deveria, já que nunca chegou a ser tão popular como Janela Indiscreta, Um Corpo Que Cai e Psicose, por exemplo, “Pacto Sinistro” é baseado em uma história escrita por Patricia Highsmith (que aparece no filme, como uma mulher que trabalha na loja de discos em que a personagem Miriam trabalha). O roteiro teve a co-autoria de Raymond Chandler, um dos mais importantes autores americanos de romances policiais.

Dualidade. Esta é a palavra-chave da história. Temos dois protagonistas, dois completos estranhos que se encontram num trem. São, ao menos aparentemente, dois homens completamente diferentes nos gostos, na forma de encarar a vida e na maneira de se comportar. Bruno Anthony (Robert Walker) é um boa-vida, mimado pela mãe e altamente criticado pelo pai. É espalhafatoso, exagerado, falador. Guy Haines é um jogador de tênis, prestes a se divorciar da esposa e com intenção de se casar com a filha de um senador. É tímido, contido e discreto. A oposição dos dois nos é indicada à exaustão, a começar pelos sapatos que cada um usa e pelo modo de caminhar do táxi até a plataforma. Aliás, isso é tudo o que vemos na abertura do filme (os pés dos protagonistas). É assim que Hitchcock nos apresenta os dois homens. E só vemos os seus rostos e ouvimos suas vozes quando o “encontro” já está sacramentado, após um esbarrão entre os pés. Leia o resto deste post »

Resenha #27 – Os Demônios (The Devils, 1971)

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Ken Russell era um diretor destemido. A década de 70 foi um período de experimentação e ousadia para a arte cinematográfica. A soma destes dois fatores resultou no intenso “Os Demônios”, ótimo filme britânico sobre o suposto caso de possessão demoníaca de um grupo de freiras na cidade francesa de Loudun no século XVII.

O longa foi severamente perseguido após seu lançamento no início da década de 70 e sofreu diversos banimentos e cortes em muitos países em que chegou a ser distribuído. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, recebeu o código de censura máximo (Rated “X”), algo esperado quando vemos seu conteúdo. Russell conta a história do padre católico Urbain Grandier (Oliver Reed em ótima atuação) que é julgado por bruxaria após ser acusado por uma freira corcunda e sexualmente reprimida (Vanessa Redgrave) de ter assumido a forma de um demônio “Incubus” que a visitou em sua cama ao longo de noites solitárias. O diretor não poupa a Igreja Católica na abordagem que faz da história e torna o filme bastante gráfico e intenso, com muitas sequências de nudez, sexo e violência. Na versão “uncut” do filme, há inclusive cenas de masturbação de clérigos, estejam possuídos ou não. Uma estátua de Cristo é incluída numa orgia de freiras que buscam satisfação sexual em diversas partes do cruxifixo, em pleno julgamento de Grandier (mesmo no Blu-ray lançado no exterior, se percebe que este trecho do filme se origina de uma cópia em VHS, devidamente editada para pertencer à versão “sem cortes” da película). O próprio Grandier é um pároco que se utiliza de sua posição para levar beatas para a cama. Não é à toa que o filme até hoje recebe uma limitadíssima distribuição até mesmo no mercado de Home Video. Leia o resto deste post »

Episódio #31 – Aurora

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O episódio 31 do Podcast Filmes Clássicos traz Sergio, Alexandre e Fred debatendo o que muitos consideram como um dos grandes filmes do cinema mudo, o clássico americano do diretor alemão F.W. Murnau, “Aurora“, de 1927. Realizado no final da era silenciosa do cinema, “Sunrise, A Song of Two Humans“, como se chamou em sua língua natal, é um perfeito exemplo de como os filmes estavam desenvolvidos em termos de linguagem cinematográfica às vésperas da grande virada tecnológica que mudaria para sempre a sétima arte: a invenção do cinema falado. O uso de superposição de imagens, movimentos de carrinho (chamados “travelling” ou “dolly shots“), perspectiva forçada, iluminação expressionista e outros recursos estéticos tornam as imagens em “Aurora” memoráveis e, junto com uma história simples, fazem deste um clássico do cinema mudo, o primeiro a receber destaque individual em nosso podcast.

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Resenha #26 – Pecado Sem Mácula (Side Street, 1950)

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Um dos principais “chavões” da temática dos film noir é mostrar personagens afáveis, mas que por um pequeno lapso moral, enfrentam um verdadeiro purgatório, em geral sendo obrigados a lidar com o submundo. Em “Pecado sem Mácula”, o mote é muito bem utilizado, com o carteiro Joe Norson (Farley Granger) desviando-se do bom caminho ao roubar uma maleta que julgava conter alguns poucos dólares, com o objetivo de custear o parto de sua mulher (Cathy O’Donnell, novamente contracenando com Farley Granger, um ano após “Amarga Esperança”, de Nicholas Ray). Claro que teria que dar errado! Claro que a maleta teria que conter algumas dezenas de milhares de dólares! Claro que seria dinheiro sujo! E claro que Norson passa o resto do filme tendo que lidar com a culpa, com o arrependimento e, pior de tudo, com o fato de se tornar o principal suspeito de um crime. Farley Granger, com seu inafastável ar de “rapaz atordoado”, cai como uma luva no papel de Norson. Leia o resto deste post »

Resenha #25 – Trono Manchado de Sangue (Kumonosu-jô / Throne of Blood, 1957)

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Quando filmou Trono Manchado de Sangue, em 1957, Kurosawa satisfez um longo desejo seu, que era o de adaptar seu livro preferido de Shakespeare para o cinema. Ele voltaria a ter contato com a obra do escritor 28 anos depois, rodando Rei Lear sob o título de Ran (1985), mas antes viria a beber na fonte de Hamlet para realizar a película Homem Mau Dorme Bem, em 1960.

Em Trono Manchado de Sangue, Kurosawa conseguiu atingir um meio termo entre elementos do ocidente e do oriente a partir de um choque que acabou por gerar uma obra riquíssima em detalhes e significados, sem no entanto sacrificar o melhor destes dois mundos. A partir do texto de Macbeth, o diretor adicionou elementos tipicamente japoneses, como a utilização de representação dos atores proposta pelo teatro e suas máscaras. A escolha pela proximidade com esta tradição japonesa se deu porque Kurosawa observou logo de início que o papel das três bruxas poderia ser interpretado de forma diferente pelo público oriental, que tende a absorver estes personagens de outra forma se comparado com os ocidentais. A utilização dos movimentos limitados e pré-determinados típicas de um ator no teatro , mostra-se presente nas figuras do espírito da floresta (em vez das três bruxas do texto original) e de Asaji (o equivalente de Lady Macbeth), a esposa de Washizu (o papel de Macbeth). Além disso, há outra incorporação do teatro no filme, na medida em que a caracterização destes três personagens citados acima, se baseia em máscaras utilizadas pelo teatro oriental, reforçando inclusive o seu significado para os personagens no filme, que em muito se assemelham ao perfil dos personagens que são representados em peças do Nô. Leia o resto deste post »

Episódio #30 – Os Sete Samurais

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O primeiro episódio de 2016 é o trigésimo do Podcast Filmes Clássicos. Nele, Fred e Alexandre pegam uma ponte aérea para o Japão, onde passam o réveillon ao lado de Akira Kurosawa,  Toshirô Mifune e Takashi Shimura, debatendo um dos maiores e mais influentes filmes de todos os tempos, “Os Sete Samurais” (Shichinin no Samurai), clássico japonês lançado em 1954. Eleito pela revista japonesa Kinema Jumpo como o segundo melhor filme do país no século XX, este filmaço influenciou todos os filmes de ação que vieram depois dele e inspirou cineastas como George Lucas, Francis Ford Coppola, Steven Spilberg e Martin Scorsese.

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