Resenha #52 – Na Garganta do Diabo (1960)

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Ambientado durante a Guerra do Paraguai e filmado em locação às margens das Cataratas do Iguaçu, este raro longa-metragem de Walter Hugo Khouri, se não tem a qualidade e intensidade do ótimo “Noite Vazia”, de 1964, pelo menos já indicava uma trajetória naquela direção, inclusive no sentido de explorar a sensualidade e presença de tela da atriz Odete Lara.

O argumento do filme gira em torno de uma fazenda que é invadida por três desertores da Guerra do Paraguai e um índio que os acompanha. O ator Luigi Picchi faz Pedro, o líder do grupo e junto dele viajam o paraguaio Quintana (José Mauro de Vasconcelos), Reis (André Dobroy) e o índio (Milton Ribeiro). Na casa da propriedade, o patriarca interpretado por Fernado Baleroni sobrevive com as belas filhas Ana (Odete Lara) e Mirian (a catarinense Edla Van Steen) e um passado que envolve a morte de seu filho como retaliação pelo comércio de gado com o inimigo. O que vem a seguir envolve a relação entre os soldados e as filhas sedentas por escapar daquele ambiente hostil, um suposto tesouro e uma história de acerto de contas com uma tribo indígena.

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Resenha #51 – O Justiceiro (Boomerang!, 1947)

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Elia Kazan ainda não era um diretor de primeira linha quando filmou este noir político, no estilo semi-documentário (um verdadeiro “sub-gênero” dentro do noir, que rendeu vários filmes, principalmente na segunda metade dos anos 40).

A história é baseada num caso real, ocorrido nos anos 20 em Connecticut e que ajudou a alavancar a carreira de um certo Homer Cummings, que acabaria se tornando Procurador Geral do governo Roosevelt: um padre, querido pelos habitantes de uma cidadezinha, é assassinado com um tiro na cabeça, em plena rua principal da cidade. A polícia sofre pressões de vários lados (sempre com interesses políticos) para que o assassino seja logo encontrado.

Quando é preso um rapaz desempregado, um ex-combatente da Segunda Guerra (Arthur Kennedy), contra quem estão todos os fatos. O único que parece ter alguma dúvida sobre a culpabilidade do rapaz é o promotor estadual Henry Harvey (Dana Andrews), um sujeito honestíssimo que, a despeito das pressões, quer encontrar a verdade. O filme conta ainda com a presença de Lee J. Cobb.

O fato interessante é que apenas o público fica sabendo quem é o verdadeiro assassino. Algo como um “Rosebud” de “Cidadão Kane”.

por Alexandre Cataldo em 14/12/2006

Episódio #43 – Relíquia Macabra

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Episódio especial no PFC! Fred e Alexandre comemoraram os 75 anos de lançamento deste clássico do cinema policial fazendo algo diferente no Podcast Filmes Clássicos: um episódio que está totalmente sincronizado com o filme e serve de trilha de comentários, bastando para isso ser ouvido ao mesmo tempo em que o filme é tocado pelo seu DVD/Blu-Ray. O episódio se inicia com o som do logo da Warner (assim como no filme) e segue a partir daí com nossos comentários fazendo companhia a você ao longo de toda a projeção.  “Relíquia Macabra” AKA “O Falcão Maltês  (The Maltese Falcon, 1941) é um dos maiores clássicos do cinema e muitas vezes é apontado como o grande precursor do film noir, subgênero tipicamente americano que se solidificou ao longo das décadas de 40 e 50. Dirigido pelo estreante John Huston, baseado no romance homônimo de Dashiell Hammet e estrelado por Humphrey Bogart, Mary Astor, Sydney Greenstreet e Peter Lorre, foi peça fundamental na carreira de todos estes e  hoje chega ao Podcast Filmes Clássicos em edição de luxo ao custo de muito trabalho. Aproveitem!

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Resenha #50 – Cidade Negra (Dark City, 1950)

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 É interessante ver Charlton Heston, antes de bater cartão nos épicos ou no planeta dos macacos, estrelar este suspense, que de filme noir carrega apenas um pouco do visual.

Fora isso, é um filme que chega a decepcionar. Afinal, quando temos um diretor competente (William Dieterle) e bons atores (um ainda iniciante, porém sólido Heston; cercado de bons coadjuvantes, como Harry Morgan, Jack Webb, Ed Begley e Dean Jagger) envolvidos, é natural esperar um pouco mais. Há poucos momentos realmente interessantes, raras cenas memoráveis (nas quais também a trilha sonora de Franz Waxman se destaca). No resto do tempo, a altíssima dose de melodrama parece impedir que o filme deslanche.

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Resenha #49 – A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole AKA The Big Carnival, 1951)

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A cada vez que revejo “A Montanha dos Sete Abutres”, menos encontro sinais positivos na moral de seus personagens e mais aprecio esta obra sombria do mestre Billy Wilder.  Muitas vezes esquecido entre seus filmes mais famosos como “Crepúsculo dos Deuses” e “Pacto de Sangue” ou mais leves como “Quanto Mais Quente Melhor” e “Sabrina”, este clássico de 1951, que se chamou originalmente de Ace in the Hole, não faz concessões quando o assunto é a redenção de seus personagens.

O repórter “Chuck” Tatum chega numa cidade pequena dos EUA obcecado por um furo de reportagem que o catapulte de volta à Nova York, de onde saiu expulso por conta de seu temperamento e bebedeira.  Kirk Douglas, numa de suas melhores atuações (injustamente nem sequer indicada ao Oscar), faz o papel do jornalista sórdido e ganancioso, disposto a esbofetear mulheres, socar policiais e manipular a vida de um pobre coitado que ficou preso numa montanha condenada por uma maldição indígena.  Ele se apodera da história e do alto de sua pretensão, imagina que o que irá escrever nas páginas de seu jornal se tornará a realidade de fato, mas se esquece que a vida real tem seus próprios planos e regras, nem sempre condizentes com suas vontades egoístas.  Ao longo de sua trajetória gananciosa, ele arrasta a mulher do homem soterrado (Jan Sterling, a esposa entediada e pronta pra uma aventura fora do casamento) e um jovem fotógrafo (Robert Arthur) que o tem como um herói e modelo na profissão. Tatum também corrompe o engenheiro encarregado do resgate e o xerife da região, que aceita os termos do jornalista em troca de propaganda que ajude na sua reeleição. Leia o resto deste post »

Episódio #42 – Os Filmes de Billy Wilder – Parte 2

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No episódio 42, Alexandre e Fred retornam à filmografia do mestre Billy Wilder para concluir a segunda parte de uma série de três episódios. Desta vez focamos a década de 50 e passamos por oito filmes do diretor, explorando mais profundamente o clássico film noir “A Montanha dos Sete Abutres” (Ace in the Hole, 1951), um dos maiores sucessos de bilheteria do diretor, chamado no Brasil de “Inferno Nº 17” (Stalag 17, 1953), o engenhoso “Testemunha da Acusação” (Witness for the Prosecution, 1957), que foi adaptado de uma peça de Agatha Christie e o hilário “Quanto Mais Quente Melhor” (Some Like It Hot, 1959), considerado uma das melhores comédias do cinema. Completam este episódio os filmes “Sabrina”, “O Pecado Mora ao Lado”, “Águia Solitária” e “Amor na Tarde”.  

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Resenha #48 – Vive-se uma só vez (You Only Live Once, 1937)

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Dos filmes dirigidos pelo alemão Fritz Lang na sua chamada “fase americana”, “vive-se Uma só Vez” é um de meus prediletos.  Sendo de 1937 e, portanto, anterior em alguns anos ao período clássico dos filmes noir, podemos dizer que se trata de um precursor daquele gênero.

Não é por acaso que o próprio Fritz Lang, já consagrado como um dos expoentes do expressionismo alemão, viria a ser também um dos diretores mais importantes do Cinema noir, deixando obras do peso de “Almas Perversas”, “Um Retrato de Mulher” e “Desejo Humano”.

Grande parte do apelo do filme vem dos dois protagonistas:  Henry Fonda e Sylvia Sidney são atores bastante “simpáticos” de um modo geral e é difícil gostar de vê-los em cena.  E ambos estão muito bem no filme. A crítica Pauline Kael chegou a dizer que nenhum dos dois jamais esteve melhor (exagero, na minha opinião).

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Resenha #47 – O Amanhã Que Não Virá (Kiss Tomorrow Goodbye, 1950)

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Feito logo depois de “Fúria Sanguinária”, este filme criminal segue praticamente a mesma linha daquele, com James Cagney no papel de um bandidão exageradamente cruel e impiedoso. Os personagens são tão similares na sua malvadeza que se fosse feito nos tempos atuais “O Amanhã Que Não Virá” possivelmente se chamaria “Fúria Sanguinária II – Cody Jarret Lives”…

O filme se inicia com uma cena de um julgamento: sete réus nos são apresentados, pelas palavras do Promotor; alguns são acusados de assassinato, outros, de cumplicidade. Entre eles, temos dois policiais, um advogado e um guarda penitenciário. Ficamos sabendo que uma oitava pessoa deveria estar sendo julgada. A partir desse momento, como costuma acontecer na imensa maioria dos filmes noir, a história passa a ser contada através de vários flashbacks, introduzidos pelos depoimentos dos réus. Ficamos conhecendo o oitavo criminoso, o bandido Ralph Cotter (Cagney, claro), e vemos como ele “arrasta” para o crime todos os que cruzam seu caminho, desde de a bonita loura Holiday (Barbara Payton) até o advogado inescrupuloso (Luther Adler, ótimo), passando por dois policiais corruptos (Ward Bond e Barton MacLane).

Apesar das semelhanças com o Cody Jarrett de “Fúria Sanguinária”, Ralph Cotter consegue ser ainda pior. Jarrett era um psicopata completo, maluco mesmo, o que de certa forma até “justificaria” seu comportamento violento e megalômano; já Cotter, apesar de ser um sociopata, não é parece ser louco, o que o torna sua violência mais “gratuita” que a de Jarrett. Leia o resto deste post »

Episódio #41 – Cidadão Kane

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No episódio de hoje, Fred e Alexandre recebem o primeiro convidado especial do PFC, o podcaster Marcelo Zagnoli (TigreCast) e juntos investigam os segredos do excepcional “Cidadão Kane” (Citizen Kane, 1941), filme do estreante Orson Welles, garoto prodígio que chega à Hollywood com apenas 24 anos, dirige seu primeiro longa-metragem e muda a história do cinema para sempre. A produção americana da RKO, que durante muito tempo se manteve no topo da lista de melhor filme já feito, finalmente chega ao Podcast Filmes Clássicos em episódio especial com mais de duas horas de duração. Entretanto, é nossa opinião que foi pouco tempo para um filme de tamanha estatura e importância, pois é um dos poucos que podemos dizer com certeza que influenciou tudo que veio a seguir. Embarque nesta viagem à Xanadu atrás da identidade do verdadeiro Charles Foster Kane! 

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Resenha #46 – Trilhos Sinistros (The Narrow Margin, 1952)

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Dirigido por Richard Fleischer (o mesmo de “20.000 Léguas Submarinas”, “Tora!Tora!Tora!” e “Viagem Fantástica”) e estrelado por Charles McGraw, Marie Windsor e Jaqueline White, “The Narrow Margin” é um ótimo filme policial, com McGraw no papel de um policial de Los Angeles que, juntamente com seu parceiro, é designado para escoltar, de Chicago a Los Angeles, uma testemunha-chave para o julgamento de um chefão do crime organizado.

McGraw, com sua habitual “cara de poucos amigos”, não chegava a ser um ator de muitos recursos, mas os papéis de gangsters ou policiais, sempre “durões”, pareciam cair como uma luva pra ele.

O filme se passa praticamente todo dentro de um trem, mas na realidade apenas algumas poucas cenas foram feitas dentro de um trem de verdade.

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