Resenha #47 – O Amanhã Que Não Virá (Kiss Tomorrow Goodbye, 1950)

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Feito logo depois de “Fúria Sanguinária”, este filme criminal segue praticamente a mesma linha daquele, com James Cagney no papel de um bandidão exageradamente cruel e impiedoso. Os personagens são tão similares na sua malvadeza que se fosse feito nos tempos atuais “O Amanhã Que Não Virá” possivelmente se chamaria “Fúria Sanguinária II – Cody Jarret Lives”…

O filme se inicia com uma cena de um julgamento: sete réus nos são apresentados, pelas palavras do Promotor; alguns são acusados de assassinato, outros, de cumplicidade. Entre eles, temos dois policiais, um advogado e um guarda penitenciário. Ficamos sabendo que uma oitava pessoa deveria estar sendo julgada. A partir desse momento, como costuma acontecer na imensa maioria dos filmes noir, a história passa a ser contada através de vários flashbacks, introduzidos pelos depoimentos dos réus. Ficamos conhecendo o oitavo criminoso, o bandido Ralph Cotter (Cagney, claro), e vemos como ele “arrasta” para o crime todos os que cruzam seu caminho, desde de a bonita loura Holiday (Barbara Payton) até o advogado inescrupuloso (Luther Adler, ótimo), passando por dois policiais corruptos (Ward Bond e Barton MacLane).

Apesar das semelhanças com o Cody Jarrett de “Fúria Sanguinária”, Ralph Cotter consegue ser ainda pior. Jarrett era um psicopata completo, maluco mesmo, o que de certa forma até “justificaria” seu comportamento violento e megalômano; já Cotter, apesar de ser um sociopata, não é parece ser louco, o que o torna sua violência mais “gratuita” que a de Jarrett. Leia o resto deste post »

Episódio #41 – Cidadão Kane

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No episódio de hoje, Fred e Alexandre recebem o primeiro convidado especial do PFC, o podcaster Marcelo Zagnoli (TigreCast) e juntos investigam os segredos do excepcional “Cidadão Kane” (Citizen Kane, 1941), filme do estreante Orson Welles, garoto prodígio que chega à Hollywood com apenas 24 anos, dirige seu primeiro longa-metragem e muda a história do cinema para sempre. A produção americana da RKO, que durante muito tempo se manteve no topo da lista de melhor filme já feito, finalmente chega ao Podcast Filmes Clássicos em episódio especial com mais de duas horas de duração. Entretanto, é nossa opinião que foi pouco tempo para um filme de tamanha estatura e importância, pois é um dos poucos que podemos dizer com certeza que influenciou tudo que veio a seguir. Embarque nesta viagem à Xanadu atrás da identidade do verdadeiro Charles Foster Kane! 

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Resenha #46 – Trilhos Sinistros (The Narrow Margin, 1952)

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Dirigido por Richard Fleischer (o mesmo de “20.000 Léguas Submarinas”, “Tora!Tora!Tora!” e “Viagem Fantástica”) e estrelado por Charles McGraw, Marie Windsor e Jaqueline White, “The Narrow Margin” é um ótimo filme policial, com McGraw no papel de um policial de Los Angeles que, juntamente com seu parceiro, é designado para escoltar, de Chicago a Los Angeles, uma testemunha-chave para o julgamento de um chefão do crime organizado.

McGraw, com sua habitual “cara de poucos amigos”, não chegava a ser um ator de muitos recursos, mas os papéis de gangsters ou policiais, sempre “durões”, pareciam cair como uma luva pra ele.

O filme se passa praticamente todo dentro de um trem, mas na realidade apenas algumas poucas cenas foram feitas dentro de um trem de verdade.

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Resenha #45 – Os Carrascos Também Morrem (Hangmen Also Die, 1943)

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A carreira americana do diretor Fritz Lang está repleta de bons filmes, mas quando temos que citar algum deles, geralmente recorremos a duas “fases”: a segunda metade dos anos 30 (que rendeu filmes como “Fúria” e “You Only Live Once”) e a sua fase noir (com clássicos do gênero, como “Almas Perversas”, “Um Retrato de Mulher”, “Os Corruptos” e “Desejo Humano”). Já sua produção do curto período entre aquelas duas fases, justamente o período da Segunda Guerra, não costuma chamar muito a atenção. Mas até deveria, pois temos ali, ao lado de alguns westerns sem grande destaque (“O Retorno de Frank James”, uma seqüência do “Jesse James” de Henry King, agora com o foco no irmão do lendário bandido; e “Western Union”), dois ótimos dramas de guerra, repletos de suspense e com clara mensagem anti-nazista (“O Homem que Queria Matar Hitler”/”Man Hunt” e “Os Carrascos Também Morrem”).

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Episódio #40 – O Tesouro de Sierra Madre

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No episódio 40, Alexandre e Fred sobem a montanha mais alta de Durango atrás d’O Tesouro de Sierra Madre (“The Treasure of the Sierra Madre”), clássico americano de 1948 e um dos melhores filmes produzidos pela Warner Brothers.  Dirigido por John Huston e estrelado por seu pai Walter Huston – que divide a tela com Humphrey Bogart, Tim Holt e Bruce Bennett – o longa conquistou três estatuetas da Academia na cerimônia de 1949, levando para casa os Oscars de direção e roteiro (para John Huston) e ator coadjuvante (para Walter Huston). Até hoje celebrado como um dos melhores filmes americanos já feitos, referenciado e reverenciado ao longo dos tempos, “O Tesouro de Sierra Madre” é um clássico obrigatório e como tal não poderia ficar muito tempo de fora da galeria do Podcast Filmes Clássicos. PS: Cuidado com suas botas!

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Resenha #44 – Horas Intermináveis (Fourteen Hours, 1951)

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A Fox lançou recentemente nos EUA, dentro de sua coleção de filmes noir, este título. Não acho que seja um noir propriamente, mas é um bom filme de suspense, sobre um jovem desequilibrado que tenta o suicídio.

Dirigido por Henry Hathaway, o filme é baseado no caso real, ocorrido em 1938, quando um certo John Warde, de 26 anos, buscou o suicício do 17º. andar de um hotel novaiorquino.

Richard Basehart é o protagonista, que passa praticamente todos os 92 minutos em pé no parapeito da janela de seu quarto, no 15o. andar de um hotel de NY, decidindo entre saltar e viver. Aos poucos vamos descobrindo, em meio às diversas tentativas de demovê-lo da sua intenção suicida, os motivos que o levaram àquela situação. Paul Douglas faz o guarda de trânsito que é o único a conseguir a confiança do suicida.

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Resenha #43- Anjo ou Demônio ? (Fallen Angel, 1945)

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A Fox bem que tentou, um ano depois do sucesso de Laura, repetir a fórmula que deu certo. Juntou o mesmo diretor (Otto Preminger), o mesmo ator principal (Dana Andrews) e uma atriz atraente (no caso, Linda Darnell). Só não foi capaz de providenciar uma boa história, como a de “Laura”, e um bom elenco de apoio. Resultado: “Anjo ou Demônio” é um filme noir “sem charme” e que “não dá liga” em momento algum, não podendo ser colocado na lista de marcos do gênero.

Temos, sim, dois elementos bem recorrentes nas histórias noir: o homem “sem rumo”, trambiqueiro mas não propriamente malfeitor, que se vê como principal suspeito de um crime; e a mulher fatal, extremamente atraente, que leva, simultaneamente, diversos homens a se meterem em encrencas.

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Episódio #39 – Dicas Triplas do PFC #3

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No episódio 39, Fred e Alexandre dão continuidade à série “Dicas Triplas do PFC”, trazendo mais três ótimos filmes que consideram esquecidos e que merecem uma conferida pelo cinéfilo que quer descobrir novas filmografias ou apenas busca dicas de filmes interessantes para completar o próximo final de semana: “Os Profissionais do Crime” (Le Deuxième Souflle), “Saco & Vanzetti” e “A Tortura do Medo” (Peeping Tom). Embarque conosco em mais este episódio e vá descobrindo os filmes à medida que formos conversando, ou então, tente adivinhar quais são os longas a partir das fotos abaixo. Mas relaxe, como de costume nesta série de episódios, separamos os spoilers para o final e eles só começam a aparecer depois de 1 hora e 11 minutos de audição. Divirta-se!

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Resenha #42 – À Margem da Vida (Caged, 1950)

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Muitos filmes de prisão já foram feitos. Alguns deles, ambientados em prisões femininas. Esse tipo de filme costuma ser recheado de clichês: a protagonista geralmente erroneamente condenada ou condenada por um crime leve, que foi levada a cometer por circunstâncias contrárias à sua vontade; a prisioneira “malvada” que inferniza a vida da protagonista; a prisioneira “amiga”; a carcereira corrupta… Ou seja, já vimos tudo sobre o assunto.

Apesar do tema batido, “À Margem da Vida” poderia ter rendido um filme bem melhor, caso tivesse contado com uma direção mais refinada e que tirasse proveito das situações-chave da história. Chega a impressionar o quanto é mal aproveitado o momento em que a protagonista Marie Allen (Eleanor Parker) é obrigada a se afastar de seu neném, nascido já dentro da prisão. A reação dela é totalmente apática.

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Episódio #38 – Contos da Lua Vaga

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Alexandre e Fred surgem como fantasmas no Episódio 38 para conversar sobre o excelente “Contos da Lua Vaga” (Ugetsu Monogatari, 1953), filme japonês dirigido por Kenji Mizoguchi e que foi – ao lado de Rashômon, de Akira Kurosawa – um dos responsáveis por tornar o cinema nipônico popular no ocidente na década de 50. Cultuado por cineastas de todo o mundo e principalmente pelos franceses da Nouvelle Vague, este clássico oriental, produzido durante a chamada “era de ouro” do cinema japonês, mereceu o Leão de Prata que conquistou no Festival de Veneza e agora faz por merecer também um episódio no Podcast Filmes Clássicos inteiramente dedicado a ele e a um dos maiores diretores do Japão, o Sr. Mizoguchi, autor de outra obras memoráveis como “Oharu – Vida de uma Cortesã” e “O Intendente Sanshô“.

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